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Nutrição5 min de leitura · 25 de julho de 2026

Adoçante faz mal ou ajuda a emagrecer? O que a ciência diz hoje

Adoçante faz mal mesmo? Nas doses comuns, os aprovados pela ANVISA são considerados seguros. Mas em 2023 a OMS desaconselhou usá-los para emagrecer, por falta de resultado a longo prazo. Entenda a diferença sem alarmismo.

Você troca o açúcar do café pelo adoçante achando que está fazendo um favor à balança, e no fundo fica aquela pulga atrás da orelha: será que isso faz mal? A resposta honesta é que depende do que você espera dele. Como segurança, os adoçantes aprovados no Brasil passam por avaliação e têm limite de consumo definido. Como estratégia para emagrecer, a história ficou bem menos animadora depois de 2023.

Primeiro, o que é um adoçante

Adoçante é o nome popular do que a legislação chama de edulcorante: uma substância que dá sabor doce sem (ou quase sem) as calorias do açúcar. Alguns são sintéticos, como aspartame, sacarina, sucralose e ciclamato. Outros vêm de planta ou fermentação, caso da estévia e dos polióis como xilitol e eritritol. No supermercado eles aparecem sozinhos, na tampinha de plástico, e escondidos em refrigerante zero, iogurte "sem açúcar", gelatina diet e um monte de proteína em pó.

No Brasil, quem libera e fiscaliza cada um deles é a ANVISA. A agência só autoriza um edulcorante depois de avaliar sua segurança, e trabalha com um número chamado IDA, a Ingestão Diária Aceitável. A IDA é a quantidade que uma pessoa poderia consumir todo dia, pela vida inteira, sem risco esperado à saúde. Esse valor não sai da cabeça de ninguém: quem calcula é o JECFA, o comitê de especialistas ligado à FAO e à OMS. Ou seja, o "adoçante faz mal" da conversa de cozinha esbarra num ponto técnico: nas doses de uso comum, os aprovados são considerados seguros para a média da população.

Então adoçante emagrece?

Aqui mora a virada. Em maio de 2023 a OMS publicou uma diretriz desaconselhando o uso de adoçantes sem açúcar para controle de peso ou para prevenir doenças crônicas como diabetes tipo 2 e problemas do coração. O motivo não foi um susto com veneno. Foi falta de resultado.

Ao revisar os estudos, a OMS concluiu que não há evidência de que o uso prolongado desses adoçantes reduza a gordura corporal em adultos ou crianças de forma consistente. Trocar o açúcar pelo adoçante corta calorias no copo, sim, mas no longo prazo isso não vem se traduzindo em menos peso na balança para a maioria das pessoas. A revisão ainda levantou a possibilidade de efeitos indesejados no uso prolongado, incluindo maior risco de diabetes tipo 2 e doença cardiovascular em adultos.

Vale um detalhe que costuma se perder na manchete: a própria OMS classificou essa recomendação como condicional. Em linguagem técnica, isso significa que a certeza da evidência ainda é limitada e que a orientação pode mudar conforme surgirem novos dados. Não é uma proibição, é um "pelo que sabemos até agora, não conte com o adoçante para emagrecer".

E o caso do aspartame

Em julho de 2023 o aspartame virou notícia por outro motivo. A IARC, a agência de câncer da OMS, classificou a substância como "possivelmente cancerígena para humanos", o grupo 2B, com base em evidência limitada para um tipo de câncer de fígado. Parece assustador até você entender o que esse grupo significa e ler a outra metade da notícia.

No mesmo pacote, o JECFA reavaliou o aspartame e manteve a IDA de 40 mg por quilo de peso corporal. Para colocar em números do dia a dia: um adulto de 70 quilos precisaria tomar bem mais de nove latas de refrigerante diet por dia, todos os dias, para passar desse limite, contando só o aspartame da bebida. A IARC responde à pergunta "essa substância pode, em tese, causar câncer?". O JECFA responde "no consumo real das pessoas, existe risco?". As duas respostas convivem, e por isso a IDA não foi reduzida.

Como usar isso na prática

Adoçante não é vilão nem solução. Faz sentido como ponte para quem está saindo de um consumo alto de açúcar, especialmente quem convive com diabetes e precisa de sabor doce sem elevar a glicose. O problema aparece quando ele vira desculpa: a sobremesa "zero" que autoriza a segunda fatia, o refrigerante diet que acompanha um prato que já estava calórico. O paladar segue treinado para o doce, e a fome de doce não passa.

Algumas balizas que costumam ajudar:

  • Se o objetivo é perder peso, o foco útil é reduzir o doce em geral, e não apenas trocar a fonte. Menos refrigerante, mesmo o zero, tende a valer mais do que a versão diet.
  • Variar os produtos evita concentrar um único edulcorante em grande quantidade ao longo do dia.
  • Ler o rótulo ajuda a perceber quanta coisa "sem açúcar" já entra na rotina sem você reparar.
  • Quem sente desconforto intestinal com adoçante deve olhar para os polióis, como xilitol e eritritol, que em quantidade maior podem soltar o intestino em algumas pessoas.

No fim, adoçante não emagrece sozinho e, nas doses comuns, não é o terror que o boca a boca pinta. Ele é uma ferramenta com uso estreito. Se a sua relação com o doce anda pesada ou você tem diabetes, condição cardíaca ou está grávida, quem deve montar essa conta com você é um nutricionista ou médico, olhando o seu caso, e não um texto de blog.

Fontes

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